segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Colorindo




Depois de uma briga "quase física" com um cliente no escritório, depois dos sapatos molhados com uma chuva incessante, daquelas que deixam as barras das calças ensopadas e você literalmente gelada, depois de uma reunião interminável acompanhada de um café ralo e frio, finalmente o dia acaba.

A cabeça estourando pede café forte, aspirina e banho quente (quem sabe um milagre?)

Ao chegar em casa, a porta de vidro mostra que a luz da sala está acessa, ou seja, visitas, a cabeça piora juntamente com o mau humor.
Ao abrir a porta um amigo que há muito não via, veio para a parada gay da cidade e passou pra tomar um vinho (que eu não servi) pois acho que a dor de cabeça me fez esquecer a boa educação.
Mas, a percepção dele estava em alta e ao invés de me contar as peripécias do evento, me abraçou e disse olhando nos meus olhos - sinceramente, você tá péééééssima, eu não aguentei tive que rir.
Veio me contar da decoração do ap. em Copacabana, me convidar pra ajudá-lo com as cores das paredes e dizer que estava fazendo dança de salão.
Ele, empolgado querendo me mostrar o que havia aprendido, mas se segurando, respeitando meu aparente desanimo.
Depois que saí do banho ele me disse: vou te fazer uma massagem nas costas e você vai dançar comigo - arrancar essa nuvem negra e te jogar uma nuvem de purpurina.
Conversamos, dançamos, relemos coisas antigas de fundo de gaveta e tomamos muito café, com pão de queijo, claro.

E no final desse dia cinzento de chuva, eu só conseguia me lembrar de dança, purpurina e vermelho - a parede da sala iria ficar perfeita com fundo vermelho.


Renata Fagundes







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